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Localizada no coração de Viamão, a fazenda Quinta da Estância Grande foi, antes de tudo, fruto de uma tentativa de inovar quanto ao aprendizado de temas rurais e ecológicos para crianças e adolescentes. Sônia Goelzer, educadora e idealizadora do projeto, conta que sempre buscou formas atrativas de trabalhar conteúdos durante suas aulas. Logo, em 1992, a ideia já estava lançada e começou a ganhar contornos: desenvolver práticas pedagógicas em um ambiente que propiciasse conhecimento sobre questões ambientais e áreas preservadas para um turismo ecológico de qualidade.
O biólogo Fabrício Bonfiglio, que é um dos monitores do local e trabalha lá desde setembro de 2007, explica que o processo de seu trabalho se apoia muito no fato de ele gostar de trabalhar com crianças e de ser um apaixonado pela natureza: “Aqui, consigo, de modo fácil e prático, passar uma ideia bacana de consciência ambiental para os visitantes”, diz. Para ele, trata-se de uma proposta de contato direto com a realidade das relações da natureza com os seres vivos: “A garotada vê na Quinta, tudo que aprende na sala de aula, de um modo dinâmico e proveitoso, principalmente, se levarmos em conta que, com o avanço das cidades, esses momentos de proximidade com o verde estão cada vez mais raros”, observa.
Hoje, a fazenda, que é única do segmento no estado, conta com 42 monitores/professores cadastrados, todos formados e desempenhando funções específicas. Só no ano de 2009, recebeu grupos vindos, além do estado, de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Distrito Federal e até do Uruguai – um total estimado em mais de 60 mil pessoas.
Escola de Cruz Alta conferiu as instalações da Quinta – Recentemente, a escola cruz-altense Arnaldo Ballvé esteve em Viamão e pôde tirar suas próprias conclusões sobre a fazenda mais querida do estado.
Estive junto com o pessoal, que viajou cerca de cinco horas de ônibus, até se esbaldar nas águas e ares do complexo – que, além de abrigar diversos animais em extinção, como uma ilustre família de bugios, e convidar à belíssimas trilhas mata adentro, também é palco da prática de esportes radicais e de várias outras atividades saudáveis.
Para a professora e diretora do colégio Aline Roese, levá-los a conhecer a fazenda foi um fator de estímulo ao aumento da consciência ambiental, pois estudantes têm a obrigação de assimilar com racionalidade o mundo em que vivem: “Isso aqui é muito bonito e merece ser prestigiado”, enfatiza.
Alunos puderam testar seus conhecimentos efetivamente – Olhos curiosos e um pouco receosos, afinal, não é toda hora que se vê um ofídio ser tratado com tanta indiferença. Enrolada à mão do biólogo Fabrício, a serpente, mais conhecida como cobra do milho, é observada por cerca de 30 crianças e algumas mães, sedentas por ouvirem que o animal é isento de peçonha.
São feitas algumas perguntas clássicas sobre répteis e aí os pequenos podem, de fato, mostrar se estão aproveitando bem as aulas de biologia. O monitor, após receber algumas informações desencontradas, finalmente, esclarece não haver perigo nenhum e os convida a tocarem o bicho – um singelo prêmio por terem escutado tão compenetrados sua explanação sobre alguns temas inerentes ao mundo das temidas serpentes.
Desafio a falante Gabriela Murini, de 11 anos, a pegá-la sem medo. Ela, de imediato, observa que o perigo de um possível ataque já foi descartado: “O moço já explicou, Bruna”. Depois dessa prova de coragem, me afasto e observo de longe, a alegria dos espertos na empreitada – já que eu não sou mais estudante e posso me dar ao luxo de confessar que fiquei apavorada só com a hipótese de chegar perto daquela criatura rastejante.
Veja link do Blog: http://conversasparalelas2010.wordpress.com/2010/12/04/fazenda-ecologica-faz-historia-no-rs/
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